Meus queridos,

Estamos perto do aniversário de 50 anos da AIDB, nosso jubileu que será celebrado nos dias 13, 14 e 15 de maio. Não sei como estão os sentimentos de nossos irmãos, mas em meu coração fervem as lembranças do começo de nossa história, de como Deus tirou minha família de outro país para iniciarmos esse ministério tão abençoado aqui no Brasil.

Deus me chamou a atenção para o cabeçalho do site da AIDB. Lá está: FUNDADOR da AIDB, mas deveria estar: FUNDADORES DE A IGREJA DE DEUS NO BRASIL - ex A Marcha da Fé. Deus me cobrou sobre esse assunto durante toda uma noite. Os fundadores de A Igreja de Deus no Brasil são: Missionário Juan B. Alvear e Missionária Dorothy Alvear.

Ao reviver todas essas lembranças, senti no coração de contar um pouco de como viemos para o Brasil e da importância de algumas pessoas no desenrolar da história da AIDB.

Deus chamou meu irmão, Juan Alvear, do Chile após fazer seminário teológico. Em primeira instância ele foi para a Bolívia. Com ele foi sua linda esposa Dorothy, uma americana filha de missionários que estavam como missionários na La Iglesia de Dios, no Chile. Depois de um tempo na Bolívia, meu irmão e minha cunhada vieram para o Brasil, como um casal de missionários para começarem a obra de Deus nesse país.

Nos anos de 1960, meus pais, meus irmãos Raul, Moises, e eu, viemos para o Brasil e fomos acolhidos na casa de meu irmão Juan e sua maravilhosa esposa Dorothy com muito amor. Até o Uruguai fomos de avião. De lá nosso irmão, missionário Juan, nos trouxe para São Paulo de perua. Estávamos com o coração comovido por deixarmos nossa terra natal e começarmos uma vida nova num país distante e desconhecido. Porém, o carinho e atenção que a missionária Dorothy nos ofereceu fez-nos sentir bem-vindos. Ficamos na casa deles por muito tempo.

Virmos para o Brasil significaria muito mais do que poderíamos pensar. Seria a nossa terra prometida, terra santa, pois foi aqui que recebi meu chamado, meu ministério. Hoje tenho filhos brasileiros, noras brasileiras, netos brasileiros, genro brasileiro, muitos filhos espirituais brasileiros e coração brasileiro.


Eu achava a missionária muito linda e especial no Senhor. Ela era uma mulher virtuosa que estava lado a lado do meu irmão trabalhando para Jesus. Ela tinha um talento muito especial para música. Sua voz era muito especial e também tocava o acordeão como ninguém. Até hoje, nunca ouvi ninguém tocar como a missionária Dorothy. Ela carregava aquele instrumento pesado, de 180 baixos, para os cultos ao ar livre no centro e São Paulo e em muitas praças.

Eu percebia também que, em certos aspectos, os irmãos tinham mais liberdade para falar com a missionária do que com o missionário Juan, afinal ele era mais duro, tinha que doutrinar, ensinar a igreja. A irmã Dorothy era a balança. Ela entrava no fusquinha que tinham na época, ou às vezes de ônibus, e ia fazer as visitas nas casas dos irmãos. Ela tomava cafezinho, almoçava, levava presentes, roupas e até mesmo dinheiro que atenderiam as necessidades mais básicas do povo. Mas o que mais chamava a atenção era o amor com que ela fazia todas as coisas.

Nessa época eu era solteiro, jovem e recebia o chamado de Deus no coração. Quando criança era resistente em me entregar ao ministério. Guardava em minha memória lembranças das injustiças que meu pai sofrera por ser pastor enquanto eu ainda era um menino. No Chile, ser evangélico era ser herege pela igreja católica. Éramos perseguidos, espancados, jogavam excrementos e água quente em nós quando passávamos com o grupo de irmãos indo para os cultos. Nossa casa era sempre vandalizada com pedradas, tijoladas, pneus velhos e pedaços de paus. Olhando para o telhado via-se todos esses objetos e muito mais. Muitas vezes meu pai estava em cultos ao ar livre pregando quando um grupo de homens, liderados por um padre, começava a surrar o meu pai que, por vezes ficava com a boca cheia de sangue, mas ele virava-se para o outro lado e continuava pregando. Essa é a história do Cristianismo no Chile.

Mas graças a Deus desprendi-me desses sentimentos e entreguei minha vida pela obra do Senhor. Depois de estar como Evangelista Nacional por muitos anos, no dia 07 de maio de 1967, fui ungido pastor pelo missionário Juan. Na mesma noite saí rumo ao Paraná para abrir uma igreja na capital.

De todos os pastores presentes recebi apenas abraços. Mas a missionária, aquela mulher que aprendera a admirar e vê-la como mulher de Deus, entregou-me um cartão com três versículos bíblicos que diziam: “Tudo posso em Cristo que me fortalece” (Fp 4:13), “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15) e o último, que foi o mais importante “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4:19).

Esses versículos, nos momentos de grande solidão e provações, me ajudaram a me levantar. Eu devo uma boa parte do meu ministério ao amor, a dedicação que vi e recebi da parte da missionária Dorothy Alvear quando cheguei ao Brasil. Quanto esforço, trabalho em prol de A Igreja de Deus no Brasil. Os melhores anos de sua vida foram vividos aqui.

Deixo minha homenagem para essa grande mulher de Deus, Miss. Dorothy Alvear. Antes de celebrarmos o jubileu da AIDB, quero que todos saibam que essas palavras partem do meu coração e do meu relacionamento com Deus.

Querida missionária Dorothy Alvear, quero deixar-lhe, juntamente com muitos filhos espirituais seus, um grande abraço e um Deus lhe abençoe. Saiba que seu trabalho, junto com meu irmão Juan Alvear, ainda dá frutos. Eu sou um deles.

Bp. Adan Alvear